Publicado por: Talita | Novembro 9, 2009

Permissão para destruir

Olá a quem visita!

Hoje eu soube de algo que pra mim, juro, foi inacreditável: foram propostas alterações no Código Florestal (Lei 4771 de 1965), e dentre elas, surge a permissão para plantio de espécies exóticas em caso de reposição florestal (!!!).

Até onde eu sei, e nem precisa ser muito bem-informado para saber disso, a IUCN (International Union for Conservation of Nature, ou União Internacional para Conservação da Natureza) considera que a segunda maior causadora da extinção de espécies é a introdução de espécies exóticas, perdendo apenas para a destruição de habitats.

E o que os nossos governantes estão fazendo? Estão à beira de permitir que sejam plantadas espécies exóticas, que podem se tornar invasoras, e que constituem a segunda maior causa de extinção de espécies? É isso? Ou entendi errado?

Você deve estar se perguntando: “E daí?”.

Vale lembrar que espécie exótica é toda espécie que é introduzida fora de sua área de ocorrência natural. No caso do Brasil, como existe uma grande diversidade de ambientes, não precisamos trazer plantas de outros países para temos espécies exóticas entre esses ambientes. PLANTAS NÃO RECONHECEM FRONTEIRAS POLÍTICAS, MAS APENAS FRONTEIRAS RELACIONADAS A CONDIÇÕES CLIMÁTICAS, TOPOGRÁFICAS, EDÁFICAS, ETC! Por exemplo, seu eu pegar uma planta da Amazônia que nunca existiu na Mata Atlântica, e trazê-la para cá, então, estarei introduzindo uma espécie exótica. É exatamente isso que aconteceu com o açaiziero (Euterpe oleracea), que trazido para a Mata Atlântica para proteção do palmito-juçara (Euterpe edulis), acabou se tornando uma espécie invasora na Mata Atlântica.

Mas e aí, quando uma espécie se torna invasora?

Bem, isso acontece quando a ṕlanta exótica se adapta muito bem às condições de sua nova localidade, e passa a prosperar no local, podendo deslocar competitivamente espécies nativas, hibridizar com elas, entre outros efeitos que desequilibram os ecossistemas.

Entendeu agora porque é tão grave isso que os nossos governantes estão propondo?

Pense nisso, dê uma lida no arquivo que mostra quais são as alterações e em que artigos elas são feitas (é só baixar aqui mesmo), e se concordar com o que eu falei aqui, assine o abaixo assinado.

Não podemos ficar parados esperando com que nossos governantes façam o país caminhar no contrário da conservação ambiental.

Beijos e boa semana!

 

Publicado por: Talita | Novembro 6, 2009

Diversidade de Ambientes

cerrado

 

Olá a quem visita!

Aulinha de ecologia vegetal…

Essa foto mostra como pode ser grande a variedade de ambientes dentro de um domínio fitogeográfico. Nesta foto, tirada pela nossa querida Fernanda Ramalho em São Roque de Minas (região da Serra da Canastra), podemos ver vários tipos de vegetação: no primeiro plano, vemos uma formação mais campestre (creio ser um campo sujo, pois tem algumas árvorezinhas meio esparsas); bem no meio da foto tem um rio, que está protegido pela mata ciliar (mais verdinha e mais densa que a vegetação ao redor); mais longe das margens do rio, o solo é bem raso, de forma que a vegetação também seja mais rasteira e sem árvores e arbustos.

É por causa dessa diversidade de ambientes que o Cerrado necessita ser conservado. Vc sabia que a maior diversidade de espécies do bioma estende-se no eixo horizontal? Em outras palavras, o Cerrado aqui em São Paulo é bem diferentes do Cerrado de Brasília, considerando a composição e a proporção entre as espécies.

Deste modo, seria necessária a conservação de grandes áreas de Cerrado, e infelizmente, as grandes áreas de cerrado conservadas ainda são poucas (veja o post Sobre a Destruição do Cerrado). Nunca se esqueça que é a preservação dos ambientes que permite que os processos ecológicos continuem acontecendo.

Bom… Espero ter adicionado alguma coisa ao seu córtex cerebral… E espero que vc adicione ao meu, comentando este post!!!

Beijos e bom final de semana!!!!

Publicado por: Talita | Novembro 4, 2009

Captura_de_tela

Olá a todos!!!

Sabe qual é o problema da humanidade? Ela só se preocupa quando algo realmente assustador acontece…

É isso, fica aí pra vocês pensarem…

Beijos e bom resto de semana!!!!

Publicado por: Talita | Julho 29, 2009

Indicação

Olá a quem visita!

Não vou falar nada, pois seria muita prepotência da minha parte… =)

Apenas direi para vcs olharem o texto do Fernando Fernandez (Fernando, sou sua fã!) no site OEco, sobre o que pensam os nossos governantes a respeito da conservação/preservação ambiental.

Beijos e até mais!

Publicado por: Talita | Julho 28, 2009

Intimamente ecológica

fonte

Olá a quem visita!

Andava meio sem assunto… Sempre gosto de citar Saint’Exupéry em “O pequeno príncipe”, quando diz que crescemos e ficamos bestas… Eu cresci e não consigo mais cuidar nem do meu blog!

Finalmente, achei um assunto legal pra abordar aqui…

Mulheres: já pararam para pensar quanto usamos de absorvente em um ano? E a vida toda?

Primeiro vamos ver o quanto de absorvente a gente joga no lixo. Vamos considerar que as mulheres ficam, em média, 4 dias por mês sangrando sem morrer… Em um ano, sangramos, então, um total de (4×12) 48 dias. Vamos considerar que sejam usados em média, por dia, 3 absorventes, então em um ano teremos (3×48) 144 absorventes jogados no lixo.

Em dinheiro, considerando que um pacote com 8 absorventes custe 3 reais, e que utilizamos 1 pacote por mês, em um ano gastamos (3 reais X 12 meses) 36 reais por ano. Ficamos menstruadas pela primeira vez aos 12 anos, e assim vamos até os 50, totalizando 38 anos, o que representa um gasto de (38 anos X  36 reais ao ano) 1.368 reais com absorvente.

Tá, vc vai me dizer que até aí, tudo bem, porque a gente não gasta isso tudo de uma vez; a gente gasta um pouquinho por mês, aí não pesa.

O problema principal na verdade não é esse; o problema é que um absorvente leva 100 anos para se decompor no ambiente, e o pior de tudo, libera dioxinas no solo e na água. Pra quem não sabe, dioxinas são substâncias químicas, muitas vezes subprodutos de processos químicos, que são carcinogênicas e teratogênicas. Além disso, persistem no ambiente e podem ciclar nele (assim como ciclam a água, o nitrogênio, etc).

Preocupante, não?

O fato de o absorvente ser algo perigoso, associado ao fato de usarmos muito (só a vida inteira, né?) exige de nós, mulheres, colocar a cabecinha pra pensar.

Em vista disso, encontrei uma idéia na internet muito boa: o absorvente reutilizável, ou aBiosorvente. Algumas meninas podem fazer caretas e pensar “Ai, que nojo!”, mas acho que não é bem por aí. O fato de não custarem tão caro (13 reais – é caro em relação ao que a gente tá acostumada), durarem até 8 anos (!), serem decompostos em 1 ano quando vão pro lixo, e de serem bonitinhos (afinal, isso tb conta) contribuem pra gente parar um pouco pra pensar. Refazer os cálculos que eu fiz ali em cima e ver se vale a pena, tanto financeiramente como ecologicamente.

[E outra coisa: ter nojo de quê? A gente tem que lavar calcinha, não tem? Ou agora as meninas estão usando até calcinha descartável?]

Se vc é menina, pense a respeito. Se vc é menino, conte essa novidade pra sua namorada, amigas, mãe, irmãs, tias, e todas as mulheres que vc tiver acesso!

Pra ser sincera, ainda não comprei… Mas é porque não decidi se quero de flores rosas ou azuis… =)

Um beijo e uma semana maravilhosa!!!

Publicado por: Talita | Maio 3, 2009

A história das coisas

Olá a quem visita!

Desculpem o sumiço… Já dizia Antoine de Sant’Exupéry (em outras palavras, obviamente) que a gente cresce e fica besta…

Hoje vou apenas publicar um videozinho (aproximadamente 20 minutos, mas vale muito a pena!) que explica a lógica atual de funcionamento do nosso sistema… Há ainda quem diga que quer ser sustentável nessa selva de concreto e pouição…

Beijos, bom videozinho!!!

Publicado por: Talita | Novembro 24, 2008

E a destruição continua…

Olá!

Quem visita por aqui percebe que eu sempre falo sobre a destruição do Cerrado, e da falta de legislação específica que acaba facilitando tal destruição.

Saiu nessa semana no “O Eco” uma nota a respeito. É curtinha, mas vale muito a pena ler!

E o Cerrado continua à míngua

Espero que gostem!

Beijos e boa semana!

Publicado por: Talita | Novembro 13, 2008

Sobre a destruição do Cerrado

Chapada dos Guimarães (fonte)

Olá a quem visita!

O presidente do Brasil, os EUA, os adultos, as crianças, o Mundo está preocupado com o desmatamento da Amazônia. Ora, eu também estou! E você?

Mas também estou aqui para cotucar o duende que mora na sua cabeça e fazer alguns esclarecimentos:

A Amazônia é o maior bioma brasileiro, abrangendo uma área correspondente a quase 50% do território brasileiro. Cerca de 60% da Amazônia Brasileira está protegida em Unidades de Conservação, sendo a maior parte dela correspondente unidades de conservação de uso sustentável, que são voltadas para o uso sustentável dos “recursos” (odeio essa palavra) que possuem. O desmatamento existe na região principalmente porque a fiscalização é ineficaz perante a ação dos exploradores ilegais, que mandam e desmandam no território amazônico.

Agora, vamos fazer uma comparação bobinha:

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, que originalmente cobria uma área de mais de 2 milhões de km². Sabe o que aconteceu com a maior região savânica da América Latina? Transformou-se em mais ou menos 430 mil km² (uns 20 e poucos por cento daquilo que era antes) de fragmentos florestais esparsos e com baixa conectividade entre si, fazendo com que o bioma passasse a fazer parte da lista dos 25 hotspots mundiais. Um outro dado desalentador é que, no Estado de São Paulo, restam apenas 1% da cobertura de Cerrado, sendo metade dela protegida em unidades de conservação. No Brasil, podemos contar nos dedos de uma mão quais são as unidades de conservação de tamanho significativo localizadas sob o domínio do Cerrado (Parque Nacional das Emas, Parque Nacional Grande Sertão Veredas, Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, Parque Nacional da Serra da Canastra, Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Parque Nacional de Brasília). A ausência de uma legislação específica e a baixa quantidade de unidades de conservação no Cerrado faz deste bioma um alvo fácil da destruição. Mais desalentador ainda é saber que uma estimativa da Conservation International aponta que, se o ritmo de desmatamento do Cerrado continuar, o bioma corre risco de desaparecer até 2030. Dentre as ameaças que motivam o desmatamento podemos citar criação de gado, produção de soja, e… PLANTAÇÃO DE CANA. Avante programa de aceleração do crescimento!

Leitores mais desatentos (e que não conhecem a ecochata que vos escreve sempre que é possível) podem pensar que eu quero que a Amazônia seja destruída. EU JAMAIS GOSTARIA QUE ELA FOSSE DESTRUÍDA! E para convencer os tecnocratas, posso dizer que este bioma é importantíssimo numa série de serviços ambientais, por exemplo, para o regime climático na América do Sul. Mas o Cerrado também precisa ser protegido, porque é um tipo de savana único no planeta, com alto grau de endemismos, principalmente para vegetais, que podem ser úteis para o homem algum dia (não defendo essa idéia; é só pra convencer os tecnocratas). E pra mim isso é motivo mas que suficiente.

Beijos a todos que visitam!

Publicado por: Talita | Novembro 6, 2008

Um belo dia resolvi mudar…

<!– @page { size: 8.27in 11.69in; margin: 0.79in } P { margin-bottom: 0.08in } –>

Acredite, tem gente que adoraria destruir esta bela imagem (Fonte)

Olá a quem visita!

Como dizia o bom e velho Raul, “Prefiro ser/ essa metamorfose ambulante (…)/ do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo (…)”. Todos podem mudar de opinião, e eu também mudei.

Não sei se vou colocar o duende para trabalhar… Se conseguir, ótimo! O fato é que hoje vou contar porque mudei de opinião.

Ano passado, talvez influenciada por um certo tipo de periódico que fala de pescarias e belezas naturais, eu acreditava que os biocombustíveis poderiam ser, de fato, uma alternativa ao petróleo, este vilão que desequilibra a ciclagem de carbono no planeta (qualquer dia te explico melhor a teoria disso, ok?). Acreditava que a criação de cana orgânica poderia ser algo muito legal do ponto de vista da conservação ambiental, porque além de não usar agrotóxico, estas culturas poderiam ser utilizadas como corredores ecológicos, já que um ambiente com menos defensivos agrícolas seria mais amigável à entrada de animais silvestres. Eu também achava que, a cana, quando cresce, absorve o carbono que queimará no futuro, ficando em saldo neutro com a atmosfera.

Pois bem, sou daquelas que vai dar uma pesquisada quando acha que a esmola é demais…

E foi aí que eu descobri algumas verdades a respeito do cultivo de cana para a produção de biocombustíveis:

  • o cultivo da cana para biocombustíveis diminui a área de plantio para espécies vegetais utilizadas na alimentação humana. Você reparou que, há uns dias atrás, 2 kg de feijão estavam custando quase dez reais? Então, com uma produção menor de alimento, este passa a ser vendido mais caro.

  • Como a área para plantio de alimentos vai diminuir, o que será feito para aumentá-la de novo? Acertou quem disse “mais desmatamento”. E com o desmatamento, mais extinções locais.

  • Esse dado de que a cana é neutra também uma história bem bonita… Pra boi domir… Todos sabemos que a cana é queimada na época seca do ano; essa queima deixa o cultivo de cana em dívida, e não em neutralidade.

  • A moda de agricultura orgânica para a cana não vai pegar, porque ela é cara e depende – e muito – da boa vontade do fazendeiro (que geralmente não tem consciência ecológica).

  • Com toda essa oferta que vai ter se as áreas de cultivo continuarem a aumentar, a cana vai ficar mais barata, e aí, sabe o que vai acontecer? Os bóias-frias terão que cortar muito mais que 13 toneladas por dia para ganhar um salário menos indecente.

Bom, espero que você seja compreensivo com a minha mudança de opinião… haha…

Beijos, e até mais!

PS: se você sabe de que revista eu estava falando, ela vale bastante a pena, exceto pelas reportagens sobre coisas relacionadas a carbono. Não sou a favor das pessoas pararem de ler; sou a favor de as pessoas lerem com olhos livres!

Publicado por: Talita | Outubro 16, 2008

Você acredita em duende? E em bondade sem nada em troca?

Repare que bela palmeira, o Buriti (Mauritia vinifera)

Olá a quem visita!

Voltando para colocar o duendezinho para trabalhar…

Quantas vezes você comprou um sabonetinho cheiroso e bem embaladinho em papel reciclável, com referências a um modo de produção sustentável no rótulo? Ok, eu também já comprei, e assumo publicamente. (mas nunca comprei o de castanha ou o de buriti…rs)

Não se sinta culpado! Não há problema algum em usar seu sabonetinho, até porque é necessário tomar banho, seus amigos e familiares agradecem!

O problema é você ler o rótulo e achar lindo que uma empresa capitalista (é redundante dizer isso? Putz, não sei… Se você souber, por favor, me ajude!) esteja tão preocupada com o meio ambiente e esteja engajada na onda da sustentabilidade.

Como já dizia minha velha vó, quando a esmola é demais, o santo desconfia.

Seguindo o conselho da vovó, vamos então começar a pensar?

Essa mesma indústria diz que todo o óleo de buriti que extrai das sementes desta palmeira é extraído de sementes cujos frutos já estão caídos no chão, isto é, elas não são coletadas direto da planta. Se isso for mesmo verdade (e eu te juro que eu quero que seja, porque ainda não tive dinheiro para ir lá conferir), você já parou pra pensar que muitas destas sementes que foram coletadas do chão poderiam germinar e se transfomar em novos adultos se dali não tivessem sido tiradas? Pode parecer pouco agora, mas a longo prazo, o impacto dessa “coleta sustentável” nas populações de buriti pode ser imenso, porque a espécie está sendo impedida de se regenerar naturalmente nas regiões de coleta. Isso é extremamente preocupante, porque o buriti é uma palmeira que compõe um tipo muito específico de ambiente sujeito a alagamento, o Buritizal (lembra-se de “Grande Sertão – Veredas”? Guimarães Rosa faz uma descrição muito bonita deste ambiente), e é só nestes locais que a palmeira é encontrada em abundância.

Penso que, atualmente, como a população anda tão preocupada com aquecimento global, efeito estufa, desenvolvimento sustentável e todos aqueles assuntos do lado verde do cérebro, as empresas acabam aproveitando a onda e usando estes assuntos tão importantes para o marketing próprio. Isso é o que eu chamo de “síndrome verde”.

Como sempre é bom considerarmos o lado humano, vou te contar mais uma coisa: aquela mesma empresa, que se diz “eco-preocupada” e também possui uma linha de produtos cujos lucros teoricamente seriam pra ajudar os pobres (preciso ver pra crer, hihihi) paga uma mixaria (tipo, uns dois ou três reais por litro) pelo óleo de buriti e de outros óleos extraídos de plantas… Além disso ser um absurdo com as pessoas, piora a situação das populações de buriti, porque como eles pagam pouquinho, os coletores precisam pegar tudo o que encontrarem de frutos da bela palmeira.

Assim, querida pessoa que nos visita, você vê que não podemos acreditar em tudo o que vemos nesse mundo doido…

Observe com cuidado, e discorde de Alberto Caeiro: pensar não é estar doente dos olhos!

Uma boa semana pra você!

Mensagens Antigas »

Categorias